quarta-feira, 23 de julho de 2025
A Umbanda Tem Lei e Fundamentos Próprios?
Sim, a Umbanda tem leis e fundamentos próprios, que embora não estejam codificados em um único livro, são transmitidos oralmente e através de práticas religiosas. Esses fundamentos incluem princípios éticos, morais e espirituais que orientam a conduta dos umbandistas e a relação com as entidades espirituais.
De acordo com especialistas no tema, a Umbanda é uma religião brasileira que integra elementos do kardecismo, religiões afro-brasileiras, do culto aos ancestrais e o xamanismo, do cristianismo, bem como outras designações religiosas, sendo uma religião universalista com foco na prática da caridade e na evolução espiritual.
O que são as Leis da Umbanda?
As Leis da Umbanda, tal como estabelecidas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, são baseadas na caridade, humildade e amor ao próximo. O culto, como definido pelo Caboclo, enfatiza a igualdade, a assistência à todos e a não cobrança de espécie nenhuma . Resumo básico das Leis e Princípios:
Quanto as Leis:
Lei de Deus:
A Umbanda reconhece um Deus único, criador de tudo, e todas as Leis se baseiam nos ensinamentos de Jesus e nos princípios cristãos, como o amor ao próximo e a prática da caridade.
Lei de Caridade:
A caridade é um dos pilares da Umbanda, sendo considerada a Lei maior. A ajuda ao próximo, seja através de trabalhos espirituais ou ações práticas, é fundamental. " A fé sem a obra é morta" essa frase foi dita por Tiago, O apóstolo, em sua epístola e significa que a fé religiosa, sem ações concretas que a demonstrem não tem valor real ou efeito prático. É uma idéia presente em muitas tradições religiosas, com ênfase no Cristianismo.
Lei de Causa e Efeito (Karma):
A Umbanda acredita que as ações de cada indivíduo geram consequências em suas vidas e em vidas futuras, seja de forma positiva ou negativa. É a Lei do retorno, bem como ação e reação.
Lei da Evolução:
Acredita-se que a vida é uma jornada de evolução espiritual, onde as pessoas reencarnam para aprender, evoluir e se aperfeiçoar.
Lei da Umbanda:
Além desses princípios gerais, a Umbanda possui suas próprias Leis e fundamentos específicos, transmitidos de geração em geração, oralmente, que orientam a prática religiosa, como rituais, preceitos, e a relação com os Guias Espirituais.
Exemplos de Leis específicas:
Respeito aos Orixás e aos Guias Espirituais:
Cada Orixá e Guia Espiritual possui suas características e formas de atuação, que devem ser respeitadas. Deve-se respeitar esse princípio e não é recomendado misturar práticas ou entidades de diferentes linhas ou vertentes sem o devido conhecimento necessário.
Rituais e Preceitos:
São rituais específicos, realizados com a finalidade e objetivos mediúnicos diversos, como o fortalecimento da mediunidade e auxílio na evolução espiritual.
Ética e Moral:
A Umbanda preza pela conduta ética e moral dos seus praticantes, tanto dentro quanto fora do terreiro. A busca pela evolução espiritual implica em ações positivas e responsáveis.
Em resumo: A Umbanda não tem um código legal formalizado, mas possui Leis e princípios que orientam a prática religiosa e a conduta dos seus adeptos, baseados em Deus, caridade, karma e evolução espiritual, além de Leis específicas transmitidas oralmente.
São essas as Leis Transmitidas oralmente:
Caridade: A prática central da Umbanda, onde o auxílio ao próximo é realizado sem esperar retribuição.
Humildade: Reconhecimento da própria limitação e abertura para aprender com os outros.
Fraternidade: Cultivo de laços de irmandade e respeito entre os membros da comunidade religiosa.
Amor ao Próximo: Extensão do amor e compaixão a todos, independentemente de suas diferenças.
Igualdade: A Umbanda é uma religião inclusiva, aberta a todos, que preconiza a aceitação e o respeito à todos, sem distinção de qualquer natureza, independente de credo, raça, cor, gênero, expressões políticas e condições sociais. A Umbanda valoriza a diversidade e promove a união entre seus membros, com base na fé em um único Deus, nos Orixás e nas Entidades e Guias Espirituais.
Lei da não cobrança: Os trabalhos espirituais são realizados sem exigir pagamentos ou qualquer tipo de barganha física ou espiritual. O templo deve ser totalmente autosustentável, podendo receber doações desde que nao viole ou contradiga os princípios ou regras estabelecidas e já destacados anteriormente.
Abertura para o diálogo: Todas as manifestações mediúnicas dos desencarnados, "entidades" ou não, devem ser ouvidas e respeitadas; bem como as manifestações dos encarnados,desde que respeitando às prerrogativas da hierarquia espiritual do templo e regimento interno do mesmo. Liberdade com respeito e responsabilidade.
Lei do desenvolvimento espiritual e pessoal: A Umbanda busca o crescimento do indivíduo em todas as áreas da vida, respeitando regras estabelecidas pela mentoria do templo, bem como respeito à natureza e aos Orixás: Elementos importantes na prática Umbandista, com foco na conexão com as forças da natureza e com os Orixás.
E outros pontos importantes:
A prática da Umbanda não impõe barreiras para se frequentar as sessões de caridade, permitindo que qualquer pessoa, independentemente de suas origens ou características pessoais, possa participar. Essa postura inclusiva é um dos pilares da religião.
Quanto a participação na corrente mediúnica e integração à comunidade religiosa, requer um tempo hábil para adaptação do neófito, de modo a fazê-lo perceber e sentir-se pertencente a comunidade do templo, refletindo um cuidado maior ao princípio da caridade e da fraternidade que são um dos temas centrais em seus ensinamentos.
Portanto, a Umbanda se apresenta como uma religião aberta a todos, acolhendo à todos em sua diversidade e buscando promover a união e o respeito mútuo entre
seus adeptos.
A Umbanda foi fundada no Brasil por Zélio Fernandino de Moraes, incorporando o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Apesar da discussão sobre a sua posição como "fundador" da Umbanda estar sendo debatida por alguns estudiosos e praticantes, argumentando que a religião já existia de forma embrionária antes de Zélio, não se tinha a estrutura e organização que ele e o Caboclo lhe conferiu.
Se a tentativa era criar uma espécie de mito da religião nacional por excelência, elementos simbólicos não faltam na história de como o Caboclo das Sete Encruzilhadas, através de "Seu" aparelho mediúnico fluminense Zélio Fernandino de Moraes (1891-1975), teria criado a Umbanda. A começar pela data: 15 de novembro de 1908. aniversário da Proclamação da República, data portanto da criação do Brasil contemporâneo.
E O Caboclo estabeleceu normas para o culto, incluindo horários às sessões( sugerindo máximo de 5 horas) para o término; vestimentas brancas e a princípio a ausência de toques rítmicos.
O Caboclo das Sete Encruzilhadas, entidade espiritual que fundou a Umbanda, estabeleceu a ausência de toques rítmicos nas primeiras sessões como uma forma de diferenciar a nova religião das demais, que utilizavam de atabaques e ritmos marcados. Também para não fazer barulho, uma estratégia para driblar o sistema opressor da época e não sofrer com perseguições preconceituosas.
Essa decisão visava também criar um ambiente de maior recolhimento e respeito, onde as Entidades Espirituais seriam ouvidas com atenção sendo a prática da sessão caritativa o foco principal. Atualmente, a Umbanda mantém essa característica em muitas casas, principalmente as mais tradicionais e não sendo mais necessário o silêncio dos atabaques, mesmo que em tese, é cada vez mais comum incluir os toques e ritmos como elemento de rito , dependendo da tradição e da linha de trabalho da "CASA".
E de onde vêm as o nome Sete Encruzilhadas? A resposta está na própria ideia Umbandista do que é uma encruzilhada.
É um conceito: segundo explica o sociólogo Fiorotti, estar na encruzilhada, ao contrário do que as pessoas costumam pensar, é desejável. Porque tudo é feito de caminhos. Um caminho reto, sem possibilidades, se torna chato, não é desejável. O desejável é estarmos na encruzilhada, onde não há caminho fechado.
Enfim, a Umbanda é uma religião que busca a união entre o conhecimento espiritual e material, com o objetivo de praticar o bem e a caridade, para resgate kármico e evolução espiritual, de acordo com o merecimento de cada um de "SEUS" adéptos.
E como disse o Mestre: "...Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam..." Mateus 6:19-20.
SARAVÁ UMBANDA!!!
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